Quando pensamos em conforto dentro de um ambiente, é comum que a atenção se volte para o que é visível: cores, móveis, iluminação, organização do espaço. Mas existe um fator invisível e muitas vezes negligenciado que impacta profundamente a forma como nos sentimos: o SOM.
Ruídos constantes, ecos, sons de impacto e até conversas ao fundo fazem parte da rotina de qualquer ambiente. Para a maioria das pessoas, esses ruídos incomodam quando passam do limite, mas em geral passam despercebidos – o que tem afastado os projetos das melhores práticas de acessibilidade.
No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 02 de abril, convidamos você a olhar para os espaços sob uma nova perspectiva: a da acústica como elemento essencial de bem-estar, especialmente para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Isso porque, para muitos indivíduos dentro do espectro, o mundo pode ser percebido como um lugar muito mais intenso e, em alguns casos, sonoramente desafiador. Sons comuns do dia a dia, como passos, arrastar de cadeiras, eletrodomésticos ou ambientes com muitas vozes simultâneas, podem ser amplificados na percepção, gerando desconforto, ansiedade e até sobrecarga sensorial.
Nesse contexto, o ambiente deixa de ser apenas um cenário e passa a atuar como parte ativa da experiência. Materiais, superfícies e escolhas de projeto influenciam diretamente como o som se comporta e, consequentemente, como ele é percebido.

Quando o som deixa de ser apenas… Som!
Para a maioria das pessoas, ruídos do dia a dia passam quase despercebidos. Mas essa não é a realidade para todos. Pessoas com autismo podem apresentar hipersensibilidade auditiva, uma condição em que o cérebro processa os sons de forma amplificada, menos filtrada e, muitas vezes, mais intensa. Na prática, isso significa que estímulos considerados comuns podem gerar desconforto, irritação, ansiedade ou até dor.
Em alguns casos, essa sensibilidade está associada à chamada misofonia, em que determinados sons específicos provocam reações emocionais intensas. Em outros, pode levar a quadros de sobrecarga sensorial, conhecidos como shutdown, em que a pessoa se desconecta parcialmente do ambiente como forma de proteção.
Essas reações não são exagero: são respostas legítimas de um sistema sensorial que funciona de maneira diferente. Vale ressaltar que o desconforto causado pelo excesso de ruído não está necessariamente ligado apenas a sons altos, mas também à forma como eles se propagam no ambiente. Espaços com muita reverberação, ou seja, onde o som ecoa e se espalha sem controle, tendem a amplificar estímulos sonoros indesejáveis, tornando-os mais intensos e difíceis de filtrar.
Isso significa que, mesmo em locais aparentemente comuns, como uma sala de estar ou uma sala de aula, a escolha dos materiais e superfícies pode transformar completamente a experiência sensorial de quem está ali.

O ambiente como parte ativa do cuidado
Diante desse cenário, surge uma reflexão importante: até que ponto os espaços em que vivemos, estudamos ou trabalhamos, estão realmente preparados para acolher diferentes formas de perceber o mundo?
Ambientes com excesso de estímulos sonoros, reverberação elevada (eco) ou ruídos constantes podem aumentar significativamente o nível de estresse e dificultar atividades simples como concentração, comunicação e descanso.
Por outro lado, espaços acusticamente equilibrados contribuem para uma sensação de segurança, previsibilidade e conforto, fatores essenciais para o bem-estar de todas as pessoas, mas sobretudo as com sensibilidade auditiva.
Aqui entra um ponto fundamental, muitas vezes subestimado: os materiais que compõem um ambiente influenciam diretamente a forma como o som se comporta nele. Superfícies rígidas, como cerâmicas, porcelanatos e pedras, tendem a refletir o som, amplificando ruídos e aumentando a sensação de ambiente “barulhento”. É aquele efeito clássico em que cada passo ou objeto parece ecoar mais do que deveria. Já materiais mais flexíveis, como o piso vinílico, atuam de forma diferente e vamos explicar o porquê abaixo.
Piso vinílico: conforto acústico que faz diferença no dia a dia
O piso vinílico é reconhecido por sua excelente performance em absorção ao som de impacto, ou seja, ele reduz significativamente ruídos gerados por passos, movimentação de móveis e objetos. Na prática, isso elimina ou reduz aquele incômodo “toc-toc” comum em pisos rígidos, tornando o ambiente mais silencioso e agradável.
Enquanto pisos vinílicos convencionais já oferecem absorção em torno de 4 dB, suficiente para atender com folga a ambientes residenciais, versões em manta podem ultrapassar 20 dB de absorção, sendo amplamente especificadas em espaços onde o controle acústico é essencial, como:
- Escolas
- Clínicas e hospitais
- Escritórios
- Hotéis
Esse controle não significa eliminar completamente os ruídos, como em um estúdio de podcast, mas sim equilibrar o ambiente, evitando excessos que podem gerar desconforto.

Tecnologias que ampliam o conforto acústico
Aqui na Tarkett, o conforto acústico é tratado como parte essencial do desempenho dos produtos. Por isso, desenvolvemos tecnologias específicas para potencializar essa característica, mesmo em soluções que, estruturalmente, tenderiam a propagar mais som.
Entre os destaques:
– Pisos com base acústica, que podem mais do que quadruplicar a absorção sonora em determinadas coleções
– Tecnologia SoundBlock, presente em linhas rígidas como os nossos pisos SPC, que alcançam até 19 dB de absorção ao impacto
– Soluções autoportantes (loose lay), ideais para ambientes corporativos com piso elevado, que aliam praticidade e desempenho acústico
Essas tecnologias permitem adaptar o nível de conforto sonoro às necessidades de cada projeto, algo especialmente relevante quando pensamos em ambientes mais sensíveis do ponto de vista sensorial. Criar espaços mais inclusivos não depende apenas de grandes intervenções. Muitas vezes, está nas escolhas mais sutis e estruturais que moldam a experiência cotidiana.
Reduzir o ruído excessivo, controlar a reverberação e proporcionar uma atmosfera mais tranquila pode fazer uma diferença significativa na qualidade de vida de pessoas com autismo, seus familiares e todos que compartilham aquele espaço.

Design que cuida de pessoas
No fim das contas, projetar um ambiente é, antes de tudo, projetar experiências. E quando consideramos diferentes formas de perceber o mundo, como no caso do autismo, o design evoluiu e passa a ser também uma ferramenta de cuidado.
Escolher materiais que contribuem para reduzir estímulos excessivos, melhorar o conforto e promover bem-estar é um passo importante na construção de espaços mais humanos e inclusivos.
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